A INFLUÊNCIA DA ECONOMIA COMPORTAMENTAL NA GESTÃO DE PROJETOS: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO DIAGNÓSTICO DA INCERTEZA
DOI:
https://doi.org/10.63026/acertte.v6i2.324Palavras-chave:
Economia comportamental. Gestão de projetos. Vieses cognitivos. Complexidade. Opções reais.Resumo
Este trabalho investiga as causas do fracasso recorrente em projetos a partir da Economia Comportamental, propondo que a origem do insucesso não reside na execução, mas em uma decisão anterior: o diagnóstico equivocado da incerteza. O objetivo é demonstrar que o desalinhamento entre o domínio de complexidade de um projeto e a arquitetura metodológica adotada constitui um erro cognitivo de natureza econômica, e não meramente operacional. A análise articula a teoria dos vieses cognitivos, em especial o excesso de confiança, a falácia do planejamento e o viés de custo afundado, com a teoria da complexidade, representada pela Matriz de Stacey e pelo framework Cynefin, e com o instrumental econômico das opções reais, do custo de oportunidade e do risco de ruína. Para ilustrar a proposição, examinam-se três casos históricos documentados: a expansão do Canal do Panamá, o projeto Sentinel do FBI e o colapso do Knight Capital. Os casos evidenciam que o erro de diagnóstico opera como mecanismo causal primário, antecedendo e condicionando a escolha metodológica e amplificando os vieses táticos subsequentes. Conclui-se que o tratamento da incerteza deve ser institucionalizado como etapa formal e auditável de diagnóstico, deslocando o foco da gestão de projetos da execução para a leitura correta da natureza do problema.
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